Bolsonaro ameaçava a Globo, apoiadores chamam emissora de “Globolixo” e Flávio almoça com diretores

A relação da família Bolsonaro com a TV Globo chama atenção pela diferença entre os ataques públicos feitos por Jair Bolsonaro durante seu governo e o encontro de Flávio Bolsonaro com integrantes da direção da emissora em meio à corrida presidencial de 2026.


Durante o governo de Jair Bolsonaro, a TV Globo esteve frequentemente no centro dos conflitos entre o então presidente e a imprensa. Bolsonaro criticava reportagens da emissora e chegou a ameaçar não renovar sua concessão pública, especialmente após notícias que desagradaram ao Palácio do Planalto.

Em novembro de 2019, por exemplo, o então presidente ameaçou a renovação da concessão da Globo depois de se irritar com uma reportagem do Jornal Nacional sobre informações relacionadas à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco. O episódio ampliou o embate entre o governo e um dos principais grupos de comunicação do país.


“Globolixo” virou expressão entre apoiadores

Enquanto Jair Bolsonaro atacava a emissora, parte de seus apoiadores também passou a utilizar o termo “Globolixo” nas redes sociais e em manifestações políticas. A expressão é empregada por bolsonaristas para desqualificar a Globo e questionar sua cobertura jornalística.

O apelido tornou-se recorrente em publicações de usuários alinhados ao ex-presidente, sobretudo em discussões sobre reportagens relacionadas ao governo, à família Bolsonaro e à política nacional.

O uso do termo reflete a polarização em torno da imprensa brasileira. Enquanto críticos da emissora acusam a Globo de parcialidade, defensores do jornalismo independente ressaltam a importância de avaliar reportagens com base em evidências, documentos e apuração, em vez de recorrer apenas a rótulos políticos.

É importante destacar que nem todos os apoiadores de Bolsonaro utilizam a expressão, assim como as críticas à emissora não se restringem a um único grupo político.


Flávio Bolsonaro almoça com a direção da Globo

O cenário ganhou um novo capítulo com o almoço de Flávio Bolsonaro com integrantes da direção da Globo, realizado antes de sua participação no Jornal Nacional, conforme noticiado pelo portal Metrópoles.

O encontro chama atenção pelo histórico de confrontos protagonizados por seu pai. Enquanto Jair Bolsonaro manteve uma relação marcada por críticas públicas e ameaças relacionadas à concessão da emissora, Flávio participa de reuniões com executivos de um dos grupos de comunicação mais influentes do Brasil.

A aproximação ocorre em um momento em que candidatos buscam espaço nos principais veículos de comunicação para apresentar propostas e responder a questionamentos sobre suas posições políticas.

No entanto, o almoço, por si só, não comprova uma mudança definitiva na postura da família Bolsonaro em relação à Globo, tampouco indica a existência de acordos entre as partes.


Da ameaça ao diálogo: o contraste político

O contraste entre os episódios levanta uma questão sobre a relação entre a família Bolsonaro e a imprensa: como conciliar os ataques públicos à emissora feitos durante o governo com a participação em encontros institucionais com seus dirigentes?

A resposta depende das circunstâncias de cada episódio. Uma reunião com executivos de uma empresa de comunicação não significa necessariamente concordância com sua linha editorial. Da mesma forma, críticas à cobertura jornalística não justificam interferências políticas indevidas nas regras que regulam o funcionamento das emissoras.

O que os episódios mostram é que a relação entre políticos, imprensa e liberdade de expressão continua sendo um tema importante no debate público brasileiro.

De um lado, a expressão “Globolixo” permanece presente em setores das redes sociais ligados ao bolsonarismo. De outro, Flávio Bolsonaro mantém interlocução com a direção da emissora, evidenciando que o relacionamento entre política e imprensa pode envolver, ao mesmo tempo, confrontos públicos e canais institucionais de diálogo.




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